Tony Kanaan detalha nova fase como chefe da Arrow McLaren e projeta temporada da IndyCar

 

Por: Indycar

Tony Kanaan detalha nova fase como chefe da Arrow McLaren e projeta temporada da IndyCar

Ídolo brasileiro e campeão das 500 Milhas de Indianápolis, Tony Kanaan vive hoje um novo capítulo na carreira. Após 26 temporadas como piloto na IndyCar Series, ele se aposentou das pistas há três anos e assumiu um papel de liderança na Arrow McLaren, onde atualmente ocupa o cargo de Diretor Esportivo (Team Principal).

Em participação no Discord oficial da equipe, Kanaan falou sobre a categoria, a nova temporada e os desafios de comandar um time que busca se consolidar como referência dentro do paddock.

"A IndyCar é extremamente competitiva"

Ao explicar a categoria para novos fãs, Kanaan destacou o principal diferencial da IndyCar: o equilíbrio técnico. Diferente da Fórmula 1, as equipes utilizam chassis padrão da Dallara e contam com apenas dois fabricantes de motores — Honda e Chevrolet. A Arrow McLaren compete com motores Chevrolet.

"O que torna a IndyCar tão competitiva é que você não constrói seu próprio carro. As diferenças são mínimas. Em Phoenix, tivemos 15 carros separados por menos de dois décimos."

Com poucas áreas de desenvolvimento — basicamente acertos de suspensão e amortecedores — o fator humano ganha peso ainda maior.

Abertura da temporada em St. Pete

A temporada começa em St. Petersburg Street Circuit, tradicional circuito de rua na Flórida. Kanaan descreveu o traçado como técnico e desafiador:

"É um circuito de rua com parte da pista passando pelo aeroporto. Não tem área de escape — é muro. É difícil de ultrapassar e sempre muito competitivo."

Segundo ele, os testes de pré-temporada mostraram várias equipes fortes, o que aumenta a expectativa para a estreia.

Diferenças entre rua, mistos e ovais

A IndyCar é conhecida pela diversidade de pistas, algo que Kanaan considera um dos grandes atrativos da categoria.

 

Circuitos de rua: sem áreas de escape, punição imediata para erros.

Circuitos mistos: pistas permanentes com áreas de escape tradicionais.

Ovais curtos (1 milha ou menos): altíssima sensação de velocidade, apenas curvas à esquerda.

Super Speedways, como Indianapolis Motor Speedway: médias acima de 370 km/h e picos próximos de 390 km/h.

Nos ovais, detalhes técnicos fazem diferença — como pneus do lado direito ligeiramente maiores para ajudar o carro a virar naturalmente à esquerda. Essa variedade torna a luta pelo championship complexa: alguns pilotos brilham em um tipo de pista, enquanto outros se destacam pela consistência em todos os formatos.

A Indy 500: "Mudou minha vida"

Vencedor das Indianapolis 500 em 2013, Kanaan descreveu a prova como algo além de uma corrida.

"São mais de 100 anos de história. É o maior evento esportivo de um dia no mundo, com 400 mil pessoas."

Ele revelou que estava perto de se aposentar por falta de patrocínio antes da vitória. O triunfo mudou sua trajetória e prolongou sua carreira por mais uma década.

E claro, não faltou a tradição:

"Você bebe leite na vitória. Pode parecer estranho, mas foi o melhor leite da minha vida."

Cultura antes de troféus

Questionado sobre o que define sucesso para a Arrow McLaren em 2026, Kanaan foi além de metas puramente esportivas.

"Vitórias e títulos são o objetivo, claro. Mas meu maior desafio é cultural."

No segundo ano como diretor, ele busca consolidar uma identidade forte dentro da equipe.

"Tenho um ditado no meu escritório: 'Deixe seu ego do lado de fora da porta'. Ganhamos e perdemos como time."

 

Ele reconhece que a equipe viveu seu ano mais bem-sucedido recentemente, mas acredita que ainda há espaço para evolução até atingir o padrão McLaren — e de seu chefe, Zak Brown.

Novo McLaren Racing Center

A mudança para o novo McLaren Racing Center representa, segundo Kanaan, um divisor de águas. Antes instalada em um espaço limitado, a equipe agora conta com uma estrutura moderna e ampla, capaz de concentrar todas as operações internamente.

"Agora temos um lar. O ambiente faz diferença quando você quer lutar por títulos."

Ele brincou dizendo que passa cerca de 14 horas por dia na oficina — a ponto de a esposa sugerir que coloque uma cama no local.

Lado pessoal e competitivo

Durante a sessão de perguntas rápidas, Kanaan revelou alguns detalhes curiosos:

Música antes da corrida: U2 – "Beautiful Day".

Se não fosse piloto: agente do FBI ou policial.

Superstição atual: sempre entrar no circuito com o pé direito.

Pessoa mais competitiva da equipe: "Eu. Qualquer coisa que fizermos, vou tentar te vencer."

Uma nova corrida fora das pistas

Se como piloto Tony Kanaan construiu uma carreira marcada por consistência, carisma e uma vitória histórica em Indianápolis, agora seu desafio é diferente: transformar a Arrow McLaren em uma potência sustentável dentro da IndyCar.

A temporada começa em St. Pete, mas para Kanaan, a corrida maior acontece diariamente — na construção de cultura, mentalidade vencedora e união dentro da equipe.

 

Tony Kanaan details new phase as Arrow McLaren team principal and projects IndyCar season

Brazilian idol and Indianapolis 500 champion, Tony Kanaan is now experiencing a new chapter in his career. After 26 seasons as a driver in the IndyCar Series, he retired from racing three years ago and assumed a leadership role at Arrow McLaren, where he currently holds the position of Sporting Director (Team Principal).

 

In an appearance on the team's official Discord server, Kanaan spoke about the category, the new season, and the challenges of leading a team that seeks to establish itself as a benchmark within the paddock.

"IndyCar is extremely competitive"

In explaining the category to new fans, Kanaan highlighted IndyCar's main differentiating factor: technical balance. Unlike Formula 1, teams use standard Dallara chassis and have only two engine manufacturers — Honda and Chevrolet. Arrow McLaren competes with Chevrolet engines.

"What makes IndyCar so competitive is that you don't build your own car. The differences are minimal. In Phoenix, we had 15 cars separated by less than two tenths of a second."

With few development areas—basically suspension and shock absorber setups—the human factor becomes even more important.

Season Opening in St. Pete

The season begins at St. Petersburg Street Circuit, a traditional street circuit in Florida. Kanaan described the track as technical and challenging:

"It's a street circuit with part of the track running through the airport. There's no run-off area—it's a wall. It's difficult to overtake and always very competitive."

According to him, pre-season testing showed several strong teams, which increases expectations for the debut.

Differences between street, road, and oval tracks

IndyCar is known for its diverse track layouts, something Kanaan considers one of the category's great attractions.

Street circuits: no run-off areas, immediate punishment for mistakes.

Mixed circuits: permanent tracks with traditional run-off areas.

Short ovals (1 mile or less): extremely high sensation of speed, only left-hand turns.

Super Speedways, such as Indianapolis Motor Speedway: average speeds above 370 km/h and peaks close to 390 km/h.

On ovals, technical details make a difference — such as slightly larger right-side tires to help the car turn naturally to the left. This variety makes the fight for the championship complex: some drivers shine on one type of track, while others stand out for their consistency across all formats.

The Indy 500: "It changed my life"

Winner of the Indianapolis 500 in 2013, Kanaan described the race as something beyond a race.

"It's over 100 years of history. It's the biggest one-day sporting event in the world, with 400,000 people."

He revealed that he was close to retiring due to lack of sponsorship before the victory. The triumph changed his trajectory and extended his career for another decade.

And of course, tradition was present:

"You drink milk in victory. It may seem strange, but it was the best milk of my life."

Culture before trophies

When asked what defines success for Arrow McLaren in 2026, Kanaan went beyond purely sporting goals.

"Victories and titles are the objective, of course. But my biggest challenge is cultural."

In his second year as director, he seeks to consolidate a strong identity within the team.

"I have a saying in my office: 'Leave your ego outside the door.' We win and lose as a team."

He acknowledges that the team has recently experienced its most successful year, but believes there is still room for evolution to reach the McLaren standard — and that of his boss, Zak Brown.

New McLaren Racing Center

The move to the new McLaren Racing Center represents, according to Kanaan, a watershed moment. Previously housed in a limited space, the team now has a modern and spacious structure, capable of concentrating all operations internally.

"Now we have a home. The environment makes a difference when you want to fight for titles."

He joked that he spends about 14 hours a day in the workshop—to the point that his wife suggested putting a bed there.

Personal and competitive side

During the quick Q&A session, Kanaan revealed some curious details:

Music before the race: U2 – "Beautiful Day".

If he weren't a driver: FBI agent or police officer.

Current superstition: always entering the circuit with the right foot.

Most competitive person on the team: "Me. Whatever we do, I'll try to beat you."

A new race off the track

If as a driver Tony Kanaan built a career marked by consistency, charisma and a historic victory in Indianapolis, now his challenge is different: to transform Arrow McLaren into a sustainable powerhouse within IndyCar.

The season starts in St. Pete, but for Kanaan, the biggest race happens every day — building culture, a winning mentality, and unity within the team.

 

Informações por: Bate papo com Tony no discord da McLaren
Tradução: Autoral 

 

 

 


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