Fórmula E mira crescimento, novas fabricantes e evolução tecnológica antes da era GEN4
Fórmula E mira crescimento, novas fabricantes e evolução tecnológica antes da era GEN4
Em coletiva antes do E-Prix de Londres, CEO Jeff Dodds falou sobre o futuro da categoria, chegada de novos fabricantes, investimentos, evolução tecnológica, São Paulo e os próximos passos da Fórmula E
A Fórmula E chega à decisão da temporada 2025/26 vivendo um momento de grande transformação. Enquanto a categoria se prepara para encerrar a era GEN3 e iniciar uma nova fase com o GEN4, o campeonato também trabalha para ampliar sua presença global, atrair novos fabricantes e investidores e consolidar seu posicionamento dentro do automobilismo mundial.
Durante a coletiva de imprensa que antecede o E-Prix de Londres, o CEO da Fórmula E, Jeff Dodds, falou sobre diversos desses temas e deixou claro que a categoria não pretende crescer apenas em velocidade, mas também em tecnologia, competitividade e presença internacional.
Além da disputa pelo título, que chega a Londres com nove pilotos ainda matematicamente na briga, a coletiva serviu para apresentar algumas das principais perspectivas da Fórmula E para os próximos anos.
GEN4 será um salto importante para a categoria
A principal transformação está na chegada do GEN4.
O novo carro terá 600 kW de potência, aproximadamente 815 cv e tração integral permanente, representando um salto significativo em relação ao GEN3. O desenvolvimento do carro já está em sua fase final de testes antes da estreia oficial em competição.
Segundo Dodds, o GEN4 poderá colocar a Fórmula E em um novo patamar de desempenho. Em pistas como Mônaco, a expectativa é que o carro fique em termos de performance entre um Fórmula 2 e um Fórmula 1.
Mas o CEO fez questão de destacar que a velocidade não pode vir às custas do espetáculo.
A preocupação da Fórmula E é evitar que a evolução transforme as corridas em disputas pouco movimentadas. Para Dodds, aumentar a velocidade precisa vir acompanhado da manutenção da capacidade de ultrapassagem e do equilíbrio competitivo que marcou a categoria nos últimos anos.
Essa filosofia também aparece quando a Fórmula E olha para a próxima geração de carros.
Baterias podem ser o próximo grande salto
Uma das questões levantadas por nossa reportagem durante a coletiva foi justamente sobre qual poderia ser o próximo grande marco tecnológico da Fórmula E depois do GEN4.
A resposta de Jeff Dodds aponta para um caminho bastante claro: as baterias.
O desenvolvimento de novas químicas de células e, principalmente, das baterias de estado sólido pode representar o próximo grande salto tecnológico da categoria.
"Acredita que o desenvolvimento de baterias sólidas e sua utilização por fabricantes e por equipes pode ser o próximo marco, próximo salto evolutivo tanto para a FE, quanto para a indústria."
A possibilidade é especialmente importante porque a evolução das baterias não teria impacto apenas na velocidade dos carros.
Uma tecnologia mais eficiente poderia aumentar a autonomia, ampliar as possibilidades estratégicas durante as corridas e, ao mesmo tempo, contribuir para o desenvolvimento da indústria automotiva.
A Fórmula E, dessa maneira, continua tentando manter uma de suas principais características: utilizar o campeonato como laboratório para tecnologias que possam chegar posteriormente aos carros de produção.
Novos fabricantes: GEN4 já está praticamente fechado
Outro ponto abordado por nossa reportagem foi a possibilidade de chegada de novos fabricantes à Fórmula E.
Dodds foi realista ao falar sobre o início da era GEN4.
Atualmente, o grid já possui grande parte das vagas ocupadas por fabricantes e projetos oficiais, e o tempo necessário para desenvolver um carro competitivo torna pouco provável a entrada de uma nova marca já no início da nova geração.
Por isso, a expectativa está concentrada principalmente no meio do ciclo do GEN4.
"Para a era GEN4, de forma realista, já está totalmente definida para este começo e não há possibilidade, até por tempo de desenvolvimento, de ter novas fabricantes."
Ao mesmo tempo, o CEO confirmou que existem conversas em andamento, principalmente com fabricantes chineses.
A Fórmula E vem encontrando um mercado cada vez mais relevante na China, e os encontros realizados durante os E-Prix de Xangai e Tóquio ajudaram a aproximar a categoria de possíveis novos parceiros.
A estratégia, portanto, parece ser de médio prazo: consolidar o GEN4 primeiro e abrir espaço para novas fabricantes durante o ciclo da geração.
Investidores e parceiros também estão no radar
A expansão da Fórmula E não passa apenas pelas fabricantes.
A categoria também vem trabalhando para ampliar sua base de parceiros comerciais e investidores.
Dodds destacou que novos acordos vêm sendo anunciados ao longo da temporada, enquanto as próprias equipes também têm buscado novos patrocinadores e parceiros.
E esse é um ponto particularmente importante para a sustentabilidade financeira do campeonato.
A Fórmula E quer crescer como negócio, mas sem perder sua identidade esportiva e tecnológica.
O aumento de parceiros no campeonato também ajuda a explicar o otimismo da organização em relação ao futuro da categoria.
São Paulo continua sendo peça importante na estratégia
Nossa reportagem também questionou Jeff Dodds sobre o futuro do E-Prix de São Paulo e da presença da Fórmula E na América Latina.
A resposta foi bastante positiva.
São Paulo aparece como um dos mercados considerados estratégicos pela categoria e o relacionamento com a cidade, o público e as autoridades locais é visto como um dos pontos fortes do evento.
"Está muito feliz com São Paulo, a Fórmula E é bem recebida pela cidade, pela Prefeitura, pelo público, ao correr dos anos tem cada vez mais público no Anhembi e está satisfeita em seguir competindo ali pelos próximos anos."
O Anhembi também se encaixa na estratégia logística da Fórmula E para as Américas, ao lado de etapas como Cidade do México e provas nos Estados Unidos.
A categoria, portanto, não demonstra intenção de abandonar São Paulo no curto prazo.
Pelo contrário: a expectativa apresentada por Dodds é de continuidade e consolidação.
América Latina não está fora dos planos, mas há outras prioridades
Apesar da importância de São Paulo, a Fórmula E não pretende necessariamente ampliar imediatamente sua presença na América do Sul.
A categoria entende que a região já possui uma presença relevante com São Paulo e México, além das etapas nos Estados Unidos.
Por isso, outros mercados aparecem como prioridade para uma eventual expansão.
Entre eles estão África, Sul da Ásia e outras regiões que atualmente possuem pouca ou nenhuma presença da Fórmula E.
Argentina e outros países sul-americanos não estão descartados, mas, neste momento, a organização parece concentrar seus esforços em ampliar a presença global.
Barcelona pode voltar ao calendário no futuro
Outro assunto discutido durante a coletiva foi a possibilidade de Barcelona receber novamente um E-Prix.
Dodds confirmou que existem conversas com a cidade espanhola, mas deixou claro que Barcelona não estará no calendário da próxima temporada.
A possibilidade, porém, permanece aberta para temporadas futuras.
A chegada de Madrid ao calendário e o sucesso da etapa aumentaram a confiança da Fórmula E no mercado espanhol. Ainda assim, a organização pretende avaliar se Barcelona entraria ao lado de Madrid ou através de um sistema de alternância.
Ou seja: Barcelona é uma possibilidade real, mas não uma prioridade imediata.
O próximo passo: GEN5
Se o GEN4 representa um salto enorme em desempenho, a Fórmula E já começa a pensar no que poderá vir depois.
A GEN5 deverá ter como um dos principais focos justamente a evolução das baterias.
Mas Dodds também apontou para outras possibilidades, incluindo maior autonomia, mais segurança e novas soluções tecnológicas.
A ideia é que a Fórmula E continue aumentando a velocidade e a potência sem abrir mão daquilo que considera essencial: corridas competitivas.
"Então acredita e também deseja que com, por exemplo, a GEN5, o foco seja ter mais velocidade, mais autonomia, mas também ainda mais segurança."
Esse equilíbrio deverá ser um dos grandes desafios da categoria nos próximos anos.
A Fórmula E quer chegar cada vez mais perto do desempenho das principais categorias de monopostos, mas sem transformar essa busca em uma competição puramente voltada para números.
Uma categoria em transformação
A coletiva de Jeff Dodds mostra que a Fórmula E está vivendo um momento de transição que vai muito além da troca de geração dos carros.
A chegada do GEN4 representa uma mudança tecnológica importante, mas também abre espaço para uma nova etapa de crescimento comercial e esportivo.
A entrada de novos fabricantes parece ser uma questão de médio prazo. Os investimentos continuam sendo buscados. As baterias aparecem como o próximo grande campo de desenvolvimento tecnológico. São Paulo mantém seu espaço estratégico no calendário e novos mercados estão sendo considerados para a expansão global.
Ao mesmo tempo, a categoria precisa preservar aquilo que tornou seu produto interessante: corridas imprevisíveis, disputas próximas e possibilidade real de ultrapassagens.
Esse talvez seja o principal desafio da Fórmula E para os próximos anos.
Mais velocidade, mais tecnologia e mais autonomia, mas sem perder o espetáculo.
A era GEN4 será o primeiro grande teste dessa filosofia.
E, pelo discurso de Jeff Dodds, a Fórmula E já está pensando além dela.
Formula E Looks Ahead to Growth, New Manufacturers and Technological Evolution Ahead of the GEN4 Era
Ahead of the London E-Prix, Formula E CEO Jeff Dodds discussed the championship's future, new manufacturers and investors, technological development, São Paulo and the expansion into new markets.
Formula E heads into the 2025/26 season finale at a major turning point. While the championship prepares to say goodbye to the GEN3 era and welcome the new GEN4 car, the series is also working to expand its global presence, attract new manufacturers and investors, and strengthen its position within the world of motorsport.
During the media roundtable ahead of the London E-Prix, Formula E CEO Jeff Dodds addressed several of these topics, making it clear that the championship's growth will not be measured only in speed and performance, but also in technology, competitiveness and international expansion.
Beyond the title fight, which arrives in London with nine drivers still mathematically eligible for the championship, the press conference provided an important look at Formula E's plans for the coming years.
GEN4 represents a major step forward
The biggest transformation coming to Formula E is the arrival of GEN4.
The new car will produce 600 kW of power, approximately 815 bhp and permanent all-wheel drive, representing a significant step forward from the GEN3 specification. Development is now entering its final testing phase ahead of the car's competitive debut.
According to Dodds, GEN4 could place Formula E at an entirely new performance level. At circuits such as Monaco, the expectation is that the car could sit somewhere between Formula 2 and Formula 1 in terms of performance.
However, the CEO emphasized that increased speed cannot come at the expense of the racing spectacle.
Formula E does not want technological progress to result in races where overtaking becomes difficult. For Dodds, greater speed must go hand in hand with maintaining the close competition and unpredictability that have become trademarks of the championship.
That philosophy will also be important when Formula E eventually looks beyond GEN4.
Batteries could become the next major technological breakthrough
One of the questions raised by our report during the media roundtable focused on what could become the next major technological milestone for Formula E after GEN4.
Dodds pointed toward one particularly important area: battery technology.
The development of new cell chemistries and, especially, solid-state batteries could represent the next major technological leap for the championship.
“The development of solid-state batteries and their use by manufacturers and teams could be the next milestone, the next evolutionary leap for both Formula E and the automotive industry.”
The importance of this development goes beyond simply making the cars faster.
More efficient battery technology could increase range, create new strategic possibilities during races and contribute to technological development within the wider automotive industry.
In that sense, Formula E continues to pursue one of its fundamental purposes: using motorsport as a laboratory for technologies that could eventually reach road cars.
New manufacturers: GEN4 is already largely defined
Another issue addressed by our report was the possibility of new manufacturers joining Formula E.
Dodds was realistic about the beginning of the GEN4 era.
With much of the grid already committed to manufacturers and official projects, the amount of time required to develop a competitive car makes it difficult for a completely new manufacturer to join at the beginning of GEN4.
Instead, the most realistic opportunity appears to be around the middle of the generation's lifecycle.
“For the GEN4 era, realistically, it is already fully defined for the beginning, and because of the development time there is no possibility of having new manufacturers.”
At the same time, Dodds confirmed that discussions are taking place, particularly with Chinese manufacturers.
Formula E has been building an increasingly important presence in China, and meetings during the Shanghai and Tokyo E-Prix weekends have helped bring the championship closer to potential new partners.
The strategy therefore appears to be focused on the medium term: establish GEN4 first, then create opportunities for new manufacturers during the generation's lifecycle.
Investors and commercial partners remain a priority
Formula E's expansion is not limited to manufacturers.
The championship is also working to increase its base of commercial partners and investors.
Dodds highlighted the number of new partnerships being announced throughout the season, while individual teams are also attracting major sponsors and commercial partners.
This is particularly important for the championship's long-term financial sustainability.
Formula E wants to grow as a business without losing its sporting and technological identity.
The increasing number of partnerships also helps explain the optimism surrounding the future of the series.
São Paulo remains an important part of the strategy
Our report also asked Jeff Dodds about the future of the São Paulo E-Prix and Formula E's presence in Latin America.
His response was highly positive.
São Paulo remains one of the markets considered strategically important by the championship, with the relationship between Formula E, the city, the public and local authorities seen as a major strength of the event.
“We are very happy with São Paulo. Formula E is well received by the city, the municipality and the public. Over the years, we have seen increasingly large crowds at Anhembi, and we are happy to continue racing there in the coming years.”
The Anhembi venue also fits Formula E's wider strategy in the Americas, alongside Mexico and races in the United States.
For that reason, the championship does not appear to be looking to leave São Paulo in the short term.
On the contrary, the expectation presented by Dodds is one of continuity and consolidation.
Latin America remains on the radar, but other regions have priority
Despite São Paulo's importance, Formula E does not necessarily intend to immediately expand its presence across South America.
The championship considers the region already well represented through São Paulo and Mexico, alongside its events in the United States.
As a result, other markets are becoming priorities for potential expansion.
Africa, South Asia and other regions with little or no current Formula E presence are among the areas that could receive greater attention.
Argentina and other South American markets have not been ruled out, but for now the championship appears focused on strengthening its global footprint.
Barcelona could return to the calendar in the future
Another topic discussed during the roundtable was the possibility of Barcelona returning to the Formula E calendar.
Dodds confirmed that conversations have taken place with the city, but made it clear that Barcelona will not be on the calendar next season.
The possibility, however, remains open for future seasons.
Madrid's arrival on the calendar and the success of its first E-Prix have increased Formula E's confidence in the Spanish market. The organization could eventually consider racing in Barcelona alongside Madrid or using a rotational model.
In other words, Barcelona is a real possibility, but not an immediate priority.
Looking beyond GEN4: the GEN5 challenge
If GEN4 represents a major leap in performance, Formula E is already thinking about what could come next.
One of the main focuses of GEN5 is expected to be battery development.
But Dodds also pointed toward greater range, improved safety and new technological solutions.
The objective is to continue increasing speed and power without compromising what Formula E considers essential: competitive racing.
“We believe and also want GEN5 to focus on more speed, more range, but also even greater safety.”
Maintaining that balance will be one of the championship's biggest challenges over the coming years.
Formula E wants to move closer to the performance level of the world's leading single-seater categories, but without turning technological progress into a competition based purely on numbers.
A championship undergoing transformation
Jeff Dodds' comments during the media roundtable show that Formula E is going through a transition that extends far beyond simply changing its car generation.
GEN4 represents a major technological step, but it also opens the door to a new phase of commercial and sporting growth.
The arrival of new manufacturers appears to be a medium-term objective. Investment and partnerships remain a priority. Battery technology could become the next major field of development. São Paulo maintains its strategic importance, while new markets are being considered as Formula E continues its global expansion.
At the same time, the championship must preserve what has made its racing product so compelling: unpredictable races, close competition and genuine opportunities for overtaking.
That may ultimately be Formula E's biggest challenge in the years ahead.
More speed. More technology. More range.
But without losing the racing.
The GEN4 era will be the first major test of that philosophy.
Por: Coletiva de imprensa Formula E
Tradução: Autoral
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